Baleia Jubarte em Rio das Ostras

sexta-feira, 4 de agosto de 2023

 

Figura 01: Tela de Rocha Mais - Ilustração Jornal Rio de Flores

O ano? Não lembro mais! Sei que era início de inverno, o segundo semestre! As crianças, eram recém-chegadas, vindas de Brasília, Planalto Central. Todas da mesma família; e nunca haviam visto o mar. Não tinham ideia do tamanho do oceano! Tinham ouvido falar, mas, quando olharam, nem acreditaram que, no mundo, havia aquele tanto de água salgada!

Amanheceu, brisa leve, com poucas nuvens no céu; logo o sol se fez presente. O astro-rei subiu, afastando aquele ar fresco das últimas noites de inverno, típicas de Rio das Ostras. A casinha pequena, alugada para curta temporada, ficava perto da praia. Com largas passadas, logo eles chegavam na beira do mar. Um misto de curiosidade e de receio tomava conta da criançada. Gritavam e corriam, chutando os pequenos montes de areia, por pura farra! Lembravam, talvez, dos areais à beira do rio Araguaia. Energia e alegria não faltavam para aqueles primos pré-adolescentes.  

De repente, uma pequena turba passa correndo, sentido contrário, apontando para o alto-mar, gritando - “Olha a baleia!” – “Olha a baleia!”. Curiosidade total! Ainda mais, para quem nunca havia visto aquele montão de água salgada!  Aquilo fez com que os meninos se lançassem correndo, junto com todo mundo, na direção da praia.

Como rastilho de pólvora, a notícia se espalhou na cidade. Vinha gente de longe; traziam binóculos; queriam tentar ver melhor o cetáceo gigante e o filhote. Os mais entendidos faziam a identificação: “é uma Jubarte!” E completavam dizendo ser, para aquela época do ano, um fenômeno muito comum.

Dias depois, ainda a passeio pela pequena cidade, a petizada visitante chegou até uma Praça, no final de Costa Azul. Poucos dias depois, já andavam livremente de bicicleta pelo bairro. Sentiam uma certa “intimidade” com o local. Afinal, para os pequenos turistas, era fácil identificar a figura monumental da escultura que dá nome ao logradouro público. Cidade premiada, segura e bem-sinalizada, tudo nela estava sendo desenvolvido para o conforto dos turistas.

 

Figura 02: Quadro: A Praça da Baleia em Rio das Ostras - por Rocha Maia

BEM-VINDOS À PRAÇA DA BALEIA

Não há quem, visitando a cidade, não tenha conhecido a Praça da Baleia, situada numa privilegiada ponta de praia, bem ao lado do mirante dos Costões Rochosos, belíssima área de preservação ambiental.

Informa a Prefeitura: “Esta área de lazer e contemplação abriga a escultura de uma Baleia Jubarte (Megaptera novaeangliae), com 20 metros de comprimento e de estrutura metálica, recoberta com chapas de bronze e liga de latão. Esta é a maior homenagem a um cetáceo no mundo. “

Figura 03: Fotografia: Praça da Baleia – Rio das Ostras, por Rocha Maia

Desde os tempos bíblicos que os cetáceos fazem parte do imaginário humano. Não será necessário ter conhecido, “pessoalmente”, o Jonas bíblico, para saber mais sobre grandes mamíferos do mar. Tampouco, os mais jovens, necessitam ter lido “Moby Dick”, de Herman Melville, para saber como era a caça de baleias, cuja carne, até hoje, é muito apreciada na culinária oriental. Atualmente, a Internet informa tudo isso e muito mais! As baleias descendem de mamíferos terrestres, que preferiram a água há 50 milhões de anos.

Outras curiosidades! Será que elas dormem? Sim, mas somente um hemisfério do cérebro de cada vez; assim evitam morrer por falta de respirar. Luiz Octavio Pires Leal, na Coluna Curiosidades Animais, Revista Animal Business Brasil, informa: “O pênis - É proporcional – em comprimento – ao tamanho desse gigante marinho: cerca de 2,5 metros, mas o diâmetro, nem tanto: ao redor dos 30cm. O volume da ejaculação – estimado em 20 litros – é impressionante”.

Em abril de 2019, com apoio da Casa de Cultura Bento Costa Júnior, de Rio das Ostras, foi organizada uma exposição, como justa e merecida homenagem aos escultores, o casal Roberto Sá e Clara Arthaud.

Os artistas escultores dessa obra, são responsáveis por importantes monumentos no Brasil. Em Rio das Ostras, assinam a Baleia Jubarte, que ocupa lugar central num dos melhores pontos turísticos da cidade, no bairro Costazul.

Figura 04: Quadro: Um Domingo na Praça da Baleia – por Rocha Maia

O convite é verdadeiro: Visitem Rio das Ostras e conheçam essa fantástica escultura!

As crianças que andavam de bicicleta, pra cima e pra baixo, naquele ano distante, terminaram as férias e retornaram a Brasília. Aquela experiência na infância, marcou profundamente a lembrança delas, com momentos muito agradáveis, daquelas semanas de férias e brincadeiras à beira mar.

Anos depois, sentiram vontade de voltar. A experiência de retorno foi desconfortante, como dito por um daqueles visitantes. Já não havia mais o encantamento anterior, com as miragens, os mirantes e o marzão salgado. Havia entre o espectro urbano do passado e o do presente uma descomunal diferença. A cidade tinha crescido! Estava muito além da capacidade de manter a qualidade dos serviços receptivos e de turismo. “O bairro de Costa Azul, abandonado, realmente estava decepcionante!”, foi como ele comentou! A Praça da Baleia, outrora pitoresca, depois de passar por algumas “reformas”, perdeu aquele charme antigo, não correspondia mais às expectativas de lazer.

Mesmo assim, todos foram unânimes em afirmar: - “...compensa a viagem e vale a visita!” A monumental escultura da Baleia Jubarte, continua a ser interessante e tem um deslumbramento especial, próprio dos monumentos públicos!

 

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