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A Cachopa da Aldeia de Xisto

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segunda-feira, 21 de agosto de 2023 Figura 01 - Ilustração Jornal Rio de Flores Quando eu o conheci, já era um senhor, meia idade, simpático, bem-falante, cujo sotaque denunciava a origem lusitana. Apesar dos muitos anos vividos no Brasil, pelo modo dele dizer as coisas, a distância da Santa-terrinha se encurtava; transpareciam familiaridades na pronúncia típica daquela gente do Minho! Contou-me que, ainda rapazito, acompanhando os pais, veio morar no Brasil. Lembrando da infância, sentia saudades! Cresceu e amadureceu distante do torrão natal. Nunca pode voltar! Com o passar dos anos, foi se acostumando com a nova cultura; contudo, sempre que chegava o Natal, mesmo estando no calor infernal do Rio de Janeiro, ele se enchia de recordações daquela serra gelada onde nascera. À noite, muitas vezes, disfarçando, para que ninguém percebesse, abraçado ao travesseiro, chorava mansinho. Vinham nos seus sonhos as lembranças da infância, naquela pequena Aldeia...

O Jogo: Sorte ou azar?

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  quarta-feira, 16 de agosto de 2023 Essa é uma história sobre sorte ou azar? Confira!  Foi narrada pelo “amigo-do-amigo-de-um-primo-meu”. Assim ele contava! Tudo teve início numa bela manhã. O cidadão, protagonista da historinha, estava saindo de um prédio, na Esplanada dos Ministério, em Brasília, às dez da manhã. Devia cumprir importante missão, no outro lado daquela área nobre, onde se abriga a cúpula política e administrativa do serviço público federal. Ele, um humilde funcionário, levava, agarrada ao peito, a surrada pasta executiva, cheia de documentos sigilosos. Papeis importantes, destinados à tomada de decisões, por altas autoridades. Caminhava rápido, talvez preocupado com a segurança dos documentos. Deveria atravessar a pé aquele enorme gramado que divide a esplanada, separando os blocos dos ministérios, perfilados lado a lado. Do outro lado da rua, destino da...

A Carta

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quarta-feira, 2 de agosto de 2023 Havia já algum tempo que eu ouvira, uma narrativa, sobre certa carta! Alguém me falou! Dava notícias de um filho vivendo na Capital. Casualmente, tomei conhecimento da existência dela. Vou lhes revelar o que ela contava, mas não darei detalhes de pessoas. Prefiro segredo! Dar muitas dicas sobre gente incita fofoca! O quadro que pintei dá algumas pistas! Deixo aos leitores o exercício da imaginação; assim poderão completar esta narrativa, da forma como melhor lhes aprouver.   Quadro “A Carta”, de Rocha Maia - 2002 Antes de comentar sobre a “carta”, vou apresentar o argumento do que estou a escrever. Pela manhã, saindo de casa, para levar meu filho ao curso de desenho e pintura, deparei-me, na esquina, com cena bizarra. Tinha ares de tragédia! Meu menino ficou igualmente espantado, fez muitas perguntas sobre o que tinha visto. Nem sei o que eu respondi! Era um carro escarranchado, de frente, com um poste enor...

Baleia Jubarte em Rio das Ostras

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sexta-feira, 4 de agosto de 2023   Figura 01: Tela de Rocha Mais - Ilustração Jornal Rio de Flores O ano? Não lembro mais! Sei que era início de inverno, o segundo semestre! As crianças, eram recém-chegadas, vindas de Brasília, Planalto Central. Todas da mesma família; e nunca haviam visto o mar. Não tinham ideia do tamanho do oceano! Tinham ouvido falar, mas, quando olharam, nem acreditaram que, no mundo, havia aquele tanto de água salgada! Amanheceu, brisa leve, com poucas nuvens no céu; logo o sol se fez presente. O astro-rei subiu, afastando aquele ar fresco das últimas noites de inverno, típicas de Rio das Ostras. A casinha pequena, alugada para curta temporada, ficava perto da praia. Com largas passadas, logo eles chegavam na beira do mar. Um misto de curiosidade e de receio tomava conta da criançada. Gritavam e corriam, chutando os pequenos montes de areia, por pura farra! Lembravam, talvez, dos areais à beira do rio Araguaia. Energia e alegri...

Piadas de Português

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  quinta-feira, 27 de julho de 2023 É difícil saber, com certeza, qual a razão do fenômeno que vou abordar. Não é novidade, para ninguém, mas é bom lembrar que, desde sempre, nossa terra teve grandes e profundas ligações culturais e afetivas com os portugueses. Basta ver os sobrenomes das famílias, para entendermos os laços históricos e culturais existentes. Logo após o início da colonização portuguesa, no ano de 1530, embora o descobrimento tenha acontecido antes, em 1500, tivemos um crescimento de migrações, nas formas espontâneas ou forçadas. Somente a partir de 1808, quando da famosa abertura dos portos às nações amigas, por meio da primeira Carta Régia, assinada por D. João VI, houve uma explosão de diferentes migrações. Começou a chegar gente de todos os cantos do mundo! Acredita-se que, os primeiros viajantes, espalharam, mundo afora, as boas notícias, sobre as maravilhas da nossa natureza, o clima ameno e a abundância de alimentos. Porém, c...

OVNIs - Fenômenos à procura de explicações

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  Figura 01 - Ilustração Jornal Rio de Flores   Quando solteiro, ainda bem jovem, morando numa fazendinha, Dagoberto havia passado por algumas situações estranhas. Coisas banais, fenômenos sem maior importância, embora fossem diferentes. Desde menino, ele sentia vibrações, sensações estranhas e percepções de crescimento, momentâneo exagerado, das formas do corpo, aumento de velocidade no deslocamento das coisas, sons amplificados acima do normal, sensações que surgiam, do nada, sem maiores avisos, de forma que ele não podia identificar as causas daqueles efeitos anormais. Uma ocasião chegou a comentar aquilo com sua mãe! Ela era compreensiva e sempre tivera um bom diálogo. A mãe lembrou que, possivelmente, aqueles eram efeitos de um problema de hereditariedade, chamado distúrbio do sistema vago-simpático. Sem entender nada daquilo que a mãe falou, ficou satisfeito com a possibilidade de não ser algo tão grave. Talvez tenha ficado, vamos dizer assim, “vagamente-simpático” com...