A Cachopa da Aldeia de Xisto
segunda-feira, 21 de agosto de 2023 Figura 01 - Ilustração Jornal Rio de Flores Quando eu o conheci, já era um senhor, meia idade, simpático, bem-falante, cujo sotaque denunciava a origem lusitana. Apesar dos muitos anos vividos no Brasil, pelo modo dele dizer as coisas, a distância da Santa-terrinha se encurtava; transpareciam familiaridades na pronúncia típica daquela gente do Minho! Contou-me que, ainda rapazito, acompanhando os pais, veio morar no Brasil. Lembrando da infância, sentia saudades! Cresceu e amadureceu distante do torrão natal. Nunca pode voltar! Com o passar dos anos, foi se acostumando com a nova cultura; contudo, sempre que chegava o Natal, mesmo estando no calor infernal do Rio de Janeiro, ele se enchia de recordações daquela serra gelada onde nascera. À noite, muitas vezes, disfarçando, para que ninguém percebesse, abraçado ao travesseiro, chorava mansinho. Vinham nos seus sonhos as lembranças da infância, naquela pequena Aldeia...